sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Memória que Me Contam

Nome Original: A Memória que Me Contam
Diretora: Lúcia Murat
Ano: 2012
País: Brasil, Argentina e Chile.
Elenco: Irene Ravache, Simone Spoladore, Franco Nero, Zécarlos Machado e Otávio Augusto.
Sem Prêmios.
A Memória que me Contam (2012) on IMDb

   

Remexer o passado pode ser um perigoso modo de reviver histórias mal resolvidas, incompletas ou sem um fim real. Quando houve sofrimento pode ser irreversível a lembrança da dor. Num país que viveu por anos numa ditadura forte, opressiva e destrutiva, ainda existem fantasmas perambulando pelas ruas bradando urros de liberdade e de entrega, pois ainda não somos completamente livres. Amigos da guerrilha armada, contra os policiais, companheiros de assaltos à bancos, de sequestros. Amigos que ficarão eternamente. Amigos que já foram. Outros que sobreviveram definham dia a dia com o peso da morte.



Conversar com Ana é conversar com a possibilidade da morte. Com a consciência de quem tem muito peso nas costas. Não de culpa. Não de remorso. Não de ódio, mas de quem viveu dias muito difíceis e de dolorosa lembrança. Comove, restaura o ímpeto libertário. Irene busca nas conversas com Ana a apaixonante lembrança da amiga revolucionária em sua essência, que existe para que aqueles dias não morram. Um grupo de rebeldes que hoje se reúnem para velar a amiga inspiradora e cada um seguiu seu rumo. Cineasta, Ministro, Escritor, mas ficaram uma dúvida sobre de que valeram aqueles dias. De que valeram? Ao verem as novas gerações sem tensão alguma, sem tesão, sem uma revolução para fazer, filosofam sobre o significado da revolução. Que revolução? Sexual, só se for. As novas revoluções sociais são de caráter individual. O coletivo é que morreu. Com Ana.

 

Talvez seja pretensioso (é), mas “A Memória que me Contam” é uma espécie de “As Invasões Bárbaras” brasileiro. Com atuações certeiras o filme peca por instantes no roteiro desfocado que de nada fala e para lugar nenhum vai. Ousa, de forma desnecessária, no relacionamento gay da nova geração. O melodrama da espera pela morte dá uma densidade inverossímil. Você deve estar pensando. Ele falou falou falou e não falou nada. Pois é, quando memórias pessoas são externadas elas só dizem a quem é detentor dessas lembranças. Lúcia Murat certamente fez um filme excelente para si e um filme que, apesar de ressalvas, vale a pena ver.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 13 de junho de 2013

TODO APOIO AOS MANIFESTANTES DO PASSE LIVRE

OLÁ,

NÃO HÁ NENHUM FILME A SER POSTADO HOJE.
O QUE ILUSTRA ESSA POSTAGEM SERÃO AS DIVERSAS IMAGENS QUE TIVERAM COMO PALCO AS RUAS DE SÃO PAULO E O CAOS DE NOSSO SISTEMA DE TRANSPORTE.









NÓS, DO SESSÕES DE CINEMA APOIAMOS AS MANIFESTAÇÕES CONTRA O AUMENTO DA TARIFA DE ÔNIBUS EM SÃO PAULO PORQUE COMO TODO CIDADÃO TEMOS O DIREITO UMA INFRAESTRUTURA DECENTE E QUE ATENDA AS NOSSAS NECESSIDADES.

ENTENDEMOS QUE ESSE DIREITO SIMPLES NÃO VEM SENDO ATENDIDO A CONTENTO E RESOLVEMOS FAZER ESSE POST PROTESTO EM FORMA DE APOIO.


EQUIPE SESSÕES


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Cosmópolis


Nome Original: Cosmopolis
Diretora: David Cronenberg
Ano: 2012
País: Canadá, França, Portugal e Itália

Elenco: Robert Pattinson, Sarah Gadon, Paul Giamatti, Juliette Binoche, Emily Hampshire e Mathieu Amalric.
Sem Prêmios.
Cosmópolis (2012) on IMDb

   



Revolução, confusão. Caos, Barulho. Ideais, Inexpressão. Vida, Morte.

Não dá para ver Cosmópolis e ficar imparcial. Ama ou odeia. É um filme complexo, difícil, enfadonho, histérico. Oscila demais entre a crítica ao capitalismo com a certeza do anarquismo e do futuro desconhecido. Crise. Uma limusine, um jovem milionário, um casamento, muitos empregados, muitas mulheres, muitas dúvidas. Não há tanta adrenalina numa vida de um homem bomba. E a paz de espírito? Aonde fica? Cosmópolis é a mistura de muitas coisas numa limusine, num personagem, numa sociedade sedenta de liberdade, de dinheiro, de comando. As cidades estão em colapso.


Sei que muitos odeiam e nem pensam em ver por conta de Robert Pattison. Eu ainda ahco que ele será um ótimo ator, sabe, tipo Leonardo di Caprio, odiado de “Titanic”. Acho que ele evoluirá. Tem beleza, carisma e talento para isso. Suas escolhas recentes mostram que não está preso a filmes teen que é tiro certo para a audiência. Ele vai brilhar ainda muito. Ele está bem, tem ótimos coadjuvantes ao seu lado (destaques para o sempre fabuloso Paul Giamatti e para o excelente Mathieu Amalric), mas que não consegue trilhar com mais facilidade por entraves do roteiro e por sua inspiração endoidecida de Don DeLillo. Dinheiro trocado por ratos. Sonho. Utopia. Loucura. Genialidade. Crise.


David Cronenberg é o diretor mais cool de Hollywood. É cultuado por seus filmes de terror psicológicos nos anos 80, como “A Mosca” e “Videodrome”, evolui para filmes fabulosos e cabeças como “Crash” e amadureceu e se firmou como um grande cineasta nos filmes “Marcas da Violência”, “Senhores do Crime” e "Um Método Perigoso". Uma trajetória extraordinária de um diretor que sabe fazer de tudo e com muita inteligência. “Cosmópolis” poderia ser o filme de sua vida, mas não é. “Cosmópolis” podia ser a maior crítica ao imperialismo americano e capitalismo selvagem, mas não é. “Cosmópolis” podia ser o melhor filme da história, mas não é. “Cosmópolis” é “Cosmópolis”. Consigo dizer o que não é, mas o que é eu não tenho condições.

Como disse, é impossível ficar imparcial, mas eu não sei ainda o que senti.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 11 de junho de 2013

Um Método Perigoso



Nome Original: A Dangerous Method
Diretora: David Cronenberg
Ano: 2011
País: Reino Unido, Alemanha, Canadá e Suiça.
Elenco: Keira Knightley, Viggo Mortensen, Michael Fassbender e Vincent Cassel.
Sem Prêmios.
Um Método Perigoso (2011) on IMDb


“Não é papo de psicólogo não, eu só quero entender”.

Eu preciso ser curado, seja como for, dopado ou falado, não me importa, pois só quero a libertação desse mal que me assola, me deprimi, me deforma.  Não quero mais pensar em não poder, não quero mais querer e não poder, não quero mais a querência do querer. Preciso liberar todo o meu afã, o meu prazer, a minha tensão. Preciso gozar eternamente os prazeres da repressão. Vou rumar pelos caminhos mais tensos, menos conhecidos, mais queridos. Não sei o que me reprime. Preciso de ajuda. Preciso. Seja a forma que for. Que me curem com a fala, que me curem com a loucura. Seja com o método que for. Que seja Jung, Freud, Gross ou Spielrein, tanto faz, só sei que (segundo eles) a sexualidade é a grande causa de todos os problemas do mundo. Também, certamente é a minha. E seu, que está lendo isso.


Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Elena

Nome Original: Elena
Diretora: Petra Costa
Ano: 2013
País: Brasil
Prêmios: Melhor Documentário (júri popular), Direção, Montagem e Direção de Arte no Festival de Brasília.



Disseram-me uma vez:

“Bergman declarou nunca trazer suas questões pessoais para sua obra, pois pensava ele que esta era uma forma medíocre de arte e que esquadrinhava com seus filmes era mergulhar em questões universais”.

Vai saber o quanto de verdade, mentira, mito ou blefe há nesta conversa? Enfim, para mim chegou assim. No fim, como diz uma amiga minha: “É só outra efeméride!” Mas, não deixa de servir como introdutório para poder esboçar um pouco sobre uma das sensações que o filme “Elena” trouxe. Embora já tenha visto alguns documentários “autobiográficos”, foi a primeira vez que percebi alguém ir fundo nesta ideia de expor fraquezas. A realização do filme, traz a superfície e revive um passado de desgosto, que sujeita não apenas a diretora, como todas as pessoas que de alguma maneira envolveram-se com Elena afetivamente, a uma desconfortante exposição – Só por isto já deve ser considerado um trabalho corajoso. Corajoso e intocável, por tratar-se de um relato indiscutivelmente pessoal. Quem poderá remendar, criticar ou rechaçar alguém que se põe a sua frente de maneira tão íntima? Sim, muitos fariam isto, mas penso que uma gota de sensibilidade já é suficiente para frear este tipo de impulso.

Elena nos deixa perguntas. A que vem ao caso aqui por enquanto é – Será uma não-ficção de si mesmo um gesto audaz?

O artista mesmo falando em primeira pessoa normalmente está falando em terceira. Quando colocado diante de sua criação e da apreciação de outrem está travestido de si mesmo a fim de se proteger, por ego, por medo de reprovação, por tantas coisas... Por isso é medíocre!? E por isso é passível de qualquer saraiva? Inventar uma ficção de si mesmo e partilhá-la pode ser um enorme demonstração de covardia. Claro que a resposta não é tão simples e opostos estão aí contidos e não-contidos.

 

 Coragem, amanhã é outra manhã.

 Leandro Antonio
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...